Use este identificador para citar ou linkar para este item: https://repositoriobce.fepecs.edu.br/handle/123456789/1324
Tipo: Dissertação
Título: Características dermatoscópicas e sua relação histopatológica no diagnóstico dos diferentes tipos de carcinoma basocelular
Autor(es): Corrêa, Cibele Caminha Rodrigues
Primeiro Orientador: Reis, Carmelia Matos Santiago
Segundo Orientador: Novaes, Maria Rita Carvalho Garbi
metadata.dc.contributor.referee1: Santana, Alfredo Nicodemos da Cruz
metadata.dc.contributor.referee2: Paula, Carmen Dea Ribeiro de
metadata.dc.contributor.referee3: Santana, Levy Aniceto
Resumo: INTRODUÇÃO: o carcinoma basocelular (CBC) é o tipo de câncer mais comum em humanos, e sua incidência vem aumentando nos últimos anos. Pode ser localmente invasivo, mas raramente, metastiza. O diagnóstico inicial é clínico e deve ser confirmado pela biópsia e exame histopatológico. A dermatoscopia é um método não invasivo, de baixo custo, in vivo, que permite a visualização de estruturas morfológicas não visíveis ao olho nú. A acurácia diagnóstica dos critérios dermatoscópicos na diferenciação dos carcinomas basocelulares superficiais dos outros subtipos histológicos ainda necessita de estudos para sua comprovação e estabelecimento de protocolos de uso e interpretação dos dados. OBJETIVOS: Analisar as características dermatoscópicas de carcinomas basocelulares e sua correlação com seus subtipos histopatológicos, com o intuito ampliar a acurácia diagnóstica, realizar o melhor tratamento e o controle de cura de forma individualizada, detectar precocemente, recidivas da doença, e a elaboração de um algoritmo de diagnóstico dermatoscópico desses tumores para melhorar o tratamento de usuários do SUS/DF. MATERIAL E MÉTODOS: Estudo observacional, analítico, com delineamento longitudinal e prospectivo. As análises dos dados foram realizadas no programa IBM SPSS 23, 2015 e o nível de significância utilizado em todo o estudo foi de 5%. A amostra foi constituída por 104 indivíduos, de ambos os sexos, atendidos no ambulatório de câncer de pele do Hospital Regional da Asa Norte (SES/DF), com diagnóstico clínico de carcinoma basocelular. Foram incluídos na pesquisa os participantes que tiveram 164 lesões registradas por dermatoscopia digital com luz polarizada e não polarizada com o aparelho FotofinderTM , e que realizaram biópsia com anatomopatológico compatível, no período de setembro de 2019 a abril de 2021. Após a confirmação com a dermatoscopia da suspeita clínica de carcinoma basocelular, foram realizadas exérese cirúrgicas das lesões com margem de segurança de 3-5 mm e enviada para análise histopatológica para a confirmação do diagnóstico definitivo. A análise dermatoscópica e o tratamento cirúrgico foram realizados exclusivamente pela autora. RESULTADOS: dividem-se na análise descritiva, de associação e de regressão múltipla dos dados de 104 indivíduos com 164 lesões confirmadas de diagnóstico dermatoscópico e histopatológico de carcinomas basocelulares. Não houve diferença significativa entre os sexos, média de idade dos participantes foi de 65 anos (desvio padrão 15,78) e os fototipos mais prevalentes II (40,38%) e III (47,12%); a localização mais frequente dos tumores foi na face (47,56%) seguido pelo tronco (31,10%). A localização predominante das lesões foi em cabeça e região cervical nos subtipos não superficiais (64,84%) e em tronco para os subtipos superficiais (50%). A análise das características dermatoscópicas demonstrou o predomínio de telangiectasias arboriformes (64,63%) , seguida de áreas amorfas branco avermelhadas brilhantes (50%), múltiplos pontos e glóbulos azuis acinzentados (42,07%), estruturas concêntricas (40,24%), telangiectasias finas e curtas superficiais (39,02%), ninhos ovoides azuis acinzentados (34,15%), estruturas em raio de roda (32,22%), ulceração dermatoscópica (26,83%), áreas petaloides ou em folha (26,83%) e estruturas lineares branca brilhantes (crisálidas – 19,51%). Quanto ao subtipo histológico houve predomínio do subtipo nodular (51,83%), seguido pelo superficial (21,95%) e outros (esclerodermiforme , adenoide e cístico - 12,20%). Tumores mistos foram divididos em nodular/superficial (4,88%) e nodular/outros (9,15%). Quanto ao nível de profundidade dos tumores no exame histopatológico, se registrou uma predominância do acometimento da derme reticular em 89,02%; invasão vascular e/ou perineural em apenas 0,61%, ulceração histopatológica em 16,46%, enquanto o pigmento melânico em 21,95 % das lesões. Margens cirúrgicas laterais livres (98,17%) e margens cirúrgicas profundas livres (93,90%). As telangiectasias arboriformes, ninhos ovoides azuis acinzentados, ulceração dermatoscópica e múltiplos pontos e glóbulos azuis acinzentados foram significativamente menos presentes em lesões do tipo superficial em comparação aos demais subtipos histológicos. As estruturas concêntricas em raio de roda foram significativamente mais presentes em tumores mistos do tipo histológico nodular/ superficial em comparação aos demais subtipos (62,50%). As telangiectasias finas e curtas superficiais e as múltiplas e pequenas erosões foram significativamente mais presentes em lesões do tipo histológico superficial (83,33% e 22,22%). A derme papilar foi mais frequentemente acometida no- subtipo superficial (33,33%), e o nível hipoderme e a ulceração histopatológica foram mais encontrados nos subtipos histológicos outros (esclerodermiforme, infiltrativo – 15% e 35 % respectivamente). Margens cirúrgicas profundas comprometidas foram encontradas de forma mais frequente em lesões do tipo nodular/outros (esclerodermiforme , adenoide e cístico - 26.67%), assim como o achado de telangiectasias arboriformes em 90% dessas lesões .O subtipo superficial apresentou menor percentual dos achados de telangiectasias arboriformes (13,89%), ninhos ovoides azul acinzentados e ulceração dermatoscópica (5,56% em cada ), e múltiplos pontos e glóbulos azul acinzentados (19,44%) em comparação aos demais subtipos. Tumores com telangiectasias arboriformes tiveram 23,19 vezes mais chance de serem nodulares ou outros subtipos não superficiais, lesões com ninhos ovoides azuis acinzentados, ulceração dermatoscópica e múltiplos pontos e glóbulos azuis acinzentados apresentaram 14,40; 8,30 e 3,89 vezes mais chance respectivamente de serem nodulares ou outros subtipos não superficiais. As telangiectasias finas e curtas superficiais e as múltiplas e pequenas erosões apresentaram 13,84 e 5,81 vezes mais chance respectivamente de serem tumores do subtipo superficial. Na regressão logística para o desfecho histológico ao se inserir as variáveis dermatoscópicas o poder preditivo passou de 78% para 92,1%. No contexto múltiplo, a presença de telangiectasias arboriformes, ulceração dermatoscópica e múltiplos pontos e glóbulos azuis acinzentados aumentam em 13,47; 20,74 e 3,38 vezes, respectivamente, a chance dos tumores ser demais subtipos histológicos (não superficiais). De maneira oposta, a presença de telangiectasias finas e curtas superficiais aumentam em 4,90 vezes a chance dos tumores serem do tipo superficial. CONCLUSÕES: Baseado nos resultados apresentados, as características dermatoscópicas dos carcinomas basocelulares foram correlacionadas com os subtipos histológicos e auxiliaram na decisão diagnóstica e terapêutica adequada no manejo desses tumores. Não houve diferença estatística significativa quanto ao sexo e idade e predominância dos fototipos II e III. A localização predominante das lesões foi em cabeça e região cervical nos subtipos não superficiais e em tronco para os subtipos superficiais. As telangiectasias arboriformes, áreas amorfas branco-brilhantes, estruturas concêntricas, telangiectasias finas e curtas, pontos e glóbulos azuis acinzentados e ninhos ovoides azuis acinzentados foram as características dermatoscópicas com maior prevalência; O subtipo histológico predominante foi o carcinoma basocelular nodular seguido pelo superficial e outros subtipos: esclerodermiforme, infiltrativo. Os achados dermatoscópicos de telangiectasias arboriformes, ninhos ovoides e pontos e glóbulos azuis acinzentados e ulceração dermatoscópica aumentaram a chance do diagnóstico de carcinomas basocelulares não superficiais em 23,14; 8 e 3,8 vezes; enquanto que o achado de telangiectasias finas e curtas superficiais e múltiplas e pequenas erosões aumentaram a chance do diagnóstico dos tumores superficiais em 13,8 e 5,8 vezes. Foi elaborado um algoritmo com a finalidade de otimizar o uso do dermatoscópio e auxiliar o médico especialista, em especial no âmbito do SUS, no diagnóstico, na escolha terapêutica e o acompanhamento desses tumores.
Abstract: INTRODUCTION: Basal cell carcinoma (BCC) is the most frequent cancer in humans, and it has become more frequent in the last years. It can be locally invasive, but it rarely metastasizes. The diagnosis is made clinically, and then verified by biopsy and histopathology. Dermoscopy is an inexpensive, non-invasive, in vivo method which allows the examination of morphologic features that are not visible to the naked eye. The diagnostic accuracy of dermoscopic criteria in differentiating superficial basal cell carcinomas from other histological subtypes still needs further studies to confirm and establish protocols for the use and interpretation of data. OBJECTIVES: The aim of this study is to analyze dermoscopic features in BCC differentiation and their correlation with histopathological subtypes, aiming at increasing diagnosis’ accuracy, providing the best treatment and cure control in an individualized way, providing early diagnosis and the creation of a dermoscopic diagnosis algorithm of these tumors to improve the treatments of health care system (SUS/DF) users. METHODS: Analytical, observational study with longitudinal prospective outline. The study included 104 patients, both genders, with clinically confirmed Basal cell carcinoma, treated at the skin cancer emergency room at Asa Norte’s Regional Hospital (SES/DF). The IBM SPSS 3 (Statistical Package for the Social Sciences) 2015 program was used and the level of significance used during all the study was 5%. Participants who had 164 lesions recorded by digital dermoscopy with polarized and unpolarized light with the Fotofinder™️ device were included in the research. They had a biopsy with compatible anatomopathological, between September 2019 and April 2021. After confirming the clinical hypothesis of BCC, surgical excisions of the lesions were performed with a 3-5 millimeter safety margin and sent for histopathological analysis to confirm the diagnosis. RESULTS: results are divided in descriptive analysis, association and multiple regression of the data of 104 individuals with confirmed lesions from dermoscopic and histopathological diagnosis of Basal cell carcinomas. There was no significant difference between genders, participants mean age was 65 years and most frequent phototypes were II (40.38%) and III (47.12%); the most frequent location of the lesions were the face (47.56%), followed by the trunk (31.10%). Non superficial tumors were more frequently on the head and neck, while superficiais tumors were found more frequently in the trunk. Dermoscopic features analysis showed the prevalence of arborizing telangiectasias (64.63%), followed by milky-pink to red background (50%), pigmented islands and blue-gray globules (42.07%), concentric structures (40.24%), short fine telangiectasias (39.02%), blue-gray ovoid nests (34.15%), spoke wheel-like areas (32.22%), erosion/ulceration (26.83%), maple leaf-like areas (26.83%) and white streaks (19.51%). The most common type of BCC was nodular (51.83%), followed by superficial (21.95%) and others (sclerodermiform, adenoid and cystic - 12.20%). Mixed tumors were divided into nodular/superficial (4,88%) and nodular/others (9.15%). Regarding the depth of the tumors in the histopathological examination, there was a predominance of involvement of the reticular dermis in 89.02%; vascular and/or perineural invasion in only 0.61%, histopathological ulceration in 16.46%, while melanin pigment in 21.95% of the lesions. Free lateral surgical margins (98.17%) and free deep surgical margins (93.90%). Arborizing telangiectasias, blue-gray ovoid nests, dermoscopic ulceration, and blue-gray globules were significantly less present in superficial-type lesions compared to the other histological subtypes. Spoke wheel-like structures were significantly more present in mixed tumors of the histological nodular/superficial type compared to the other subtypes (62.50%). Short fine telangiectasias and multiple small erosions were significantly more present in superficial histological lesions (83.33% and 22.22%). The papillary dermis was more frequently affected in the superficial subtype (33.33%), and the hypodermis level and histopathological ulceration were more frequently found in the other histological subtypes (sclerodermiform, adenoid and cystic – 15% and 35% respectively). Deep surgical margins compromised were more frequently found in lesions of the nodular/other type (sclerodermiform, adenoid and cystic - 26.67%), as well as the finding of arborizing telangiectasias in 90% of these lesions. The superficial subtype had a lower percentage of findings of arborizing telangiectasias (13.89%), blue-gray ovoid nests and dermoscopic ulceration (5.56% in each), and multiple dots and bluegray globules (19.44%) compared to other subtypes. Tumors with arborizing telangiectasias were 23.19 times more likely to be nodular or other non-superficial subtypes, lesions with grayish-blue ovoid nests, dermoscopic ulceration and multiple blue-gray dots and globules were 14.40; 8.30 and 3.89 times more likely, respectively, to be nodular or other non-superficial subtypes.Short fine telangiectasias and erosions were 13.84 and 5.81 times more likely, respectively, to be tumors of the superficial subtype. In the logistic regression for the histological outcome when inserting the dermoscopic variables, predictive power increased from 78% to 92.1%. In the multiple context, the presence of arborizing telangiectasias, dermoscopic ulceration and multiple dots and blue-gray globules increase by 13.47; 20.74 and 3.38 times, respectively, the chance of tumors being other histological (non-superficial) subtypes. In an opposite way, the presence of short fine telangiectasias increases the chance of the tumors being of the superficial type by 4.90 times. CONCLUSIONS: Based on the results presented, the dermoscopic characteristics of basal cell carcinomas were correlated with the histological subtypes and helped in the diagnostic and appropriate therapeutic decision in the management of these tumors; dermoscopy of arborizing telangiectasias, ovoid nests and blue-gray dots and globules and dermoscopic ulceration increased the chance of diagnosing non-superficial basal cell carcinomas in 23,14, 8 and 3.8 times; while the finding of short fine telangiectasias and multiple small erosions increased the chance of diagnosing superficial tumors by 13.8 and 5.8 times. The data coincides with the literature and statistically confirmed the first dermoscopic findings. An algorithm was developed with the aim of optimizing the use of the dermatoscope and assisting professionals, especially within the SUS environment, in the diagnosis, treatment choice and monitoring of these tumors.
Palavras-chave: Carcinoma basocelular
Dermoscopia
Histopatologia
CNPq: CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE::MEDICINA
Idioma: por
País: Brasil
Editor: Escola Superior de Ciências da Saúde
Sigla da Instituição: ESCS
Departamento: Coordenação do Curso de Pós-graduação e Extensão
metadata.dc.publisher.program: Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Ciências da Saúde
Citação: CORRÊA, Cibele Caminha Rodrigues. Características dermatoscópicas e sua relação histopatológica no diagnóstico dos diferentes tipos de carcinoma basocelular. Orientadora: Carmelia Matos Santiago Reis. 2022. 103 f. Dissertação (Mestrado em Ciências da Saúde) - Escola Superior de Ciências da Saúde, Brasília, DF, 2022.
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
URI: https://repositorio.fepecs.edu.br:8443/handle/123456789/1324
Data do documento: 30-mai-2022
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