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Tipo: Dissertação
Título: Mortalidade infantil no Distrito Federal: panorama antes, durante e após a pandemia da Covid-19
Título(s) alternativo(s): Infant mortality in the Federal District: an oversiew before, during, and after tje Covid-19 pandemic
Autor(es): Saldanha, Rafael Pimentel
Primeiro Orientador: Figueiredo, Ana Claudia Morais Godoy
metadata.dc.contributor.referee1: Figueiredo, Ana Claudia Morais Godoy
metadata.dc.contributor.referee2: Amorim, Fábio Ferreira
metadata.dc.contributor.referee3: Batista, Josicélia Estrela Tuy
metadata.dc.contributor.referee4: Conceição, Sarah dos Santos
Resumo: Introdução: A mortalidade infantil é um dos indicadores mais sensíveis das condições de vida da população e da qualidade da atenção à saúde, por refletir determinantes sociais, econômicos e a organização dos sistemas de saúde. Nas últimas décadas, o Brasil apresentou avanços expressivos na redução desse indicador, persistindo, contudo, desigualdades regionais e sociais relevantes. A pandemia da COVID-19 representou um evento disruptivo para os sistemas de saúde em todo o mundo, com reorganização da oferta de serviços, sobrecarga das redes assistenciais e potenciais impactos indiretos sobre a atenção materno-infantil, especialmente no acesso a ações essenciais como pré- natal, puericultura e atendimentos pediátricos. Além dos efeitos observados durante a fase aguda da crise sanitária, seus impactos podem manifestar-se de forma tardia, no período pós-pandêmico, em razão da descontinuidade acumulada do cuidado e da fragilização de ações essenciais de acompanhamento infantil. O Distrito Federal, apesar de seu elevado indice de desenvolvimento humano relativo, apresenta heterogeneidades internas que tornam relevante o monitoramento da mortalidade infantil em contextos de crise sanitária. Objetivo: Comparar a taxa de mortalidade infantil no Distrito Federal nos períodos pré-pandêmico (2018-2019), pandêmico (2020-2021) e pós-pandêmico (2022-2023), analisando seus componentes, características maternas e perinatais dos óbitos infantis, distribuição por causas básicas e classificação segundo causas evitáveis. Método: Estudo ecológico, analítico, retrospectivo e de base populacional com análise temporal, desenvolvido a partir de dados secundários do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC), referentes a óbitos infantis de residentes no Distrito Federal entre 2018 e 2023. Os nascidos vivos foram utilizados como denominador para o cálculo do Coeficiente de Mortalidade Infantil (CMI) e de seus componentes, neonatal precoce (0-6 dias), neonataltardio (7-2? dias) e pós-neonatal (28-364 dias). Estimaram-se intervalos de confiança de 95% pelo método de Poisson. A associação entre o período e o CMI foi estimado por regressão de Poisson com offset (logaritmo dos nascidos vivos), com variância robusta, produzindo Razões de Taxas de Incidência (IRR) com IC95%, em modelos bruto e ajustado por tendência linear. As características maternas, perinatais e as causas de óbito foram comparadas entre os períodos pelo teste qui-quadrado de Pearson com nível de significância de 5%. Resultados: Foram analisados 3.524 óbitos infantis e 235.492 nascidos vivos. O CMI médio no período total foi de 14,96/1.000 nascidos vivos (NV), com elevação progressiva entre os períodos: 14,19/1.000 NV (pré-pandêmico), 14,68/1.000 NV (pandêmico) e 16,21/1.000 NV (pós-pandêmico; IC95%: 15,29-17,18). O período pós-pandêmico esteve associado a uma razão de taxa 14,3% maior de óbito infantil em comparação ao período de referência (IRR = 1,143; IC95%: 1,033-1,265; p = 0,010), enquanto o período pandêmico não apresentou diferença estatisticamente significativamente do pré-pandêmico no modelo bruto (IRR = 1,034; IC95%: 0,925-1,157; p = 0,552). Após ajuste pela tendência, ambos os períodos mostraram associação significativa, e a tendência linear foi de 2,9% de crescimento ao ano (IRR = 1,029; IC95%: 1,017-1,040; p < 0,001). O componente pós-neonatal (28-364 dias) apresentou o maior incremento absoluto da taxa de mortalidade, passando de 3,38/1.000 NV no periodo pré-pandêmico para 3,62/1.000 NV no período pandêmico e 4,60/1.000 NV no período pós-pandêmico, e a maior razão de taxa no modelo bruto (IRR = 1,361; IC95%: 1,224-1,513; p < 0,001). A distribuição dos óbitos infantis por idade gestacional (p = 0,010), peso ao nascer (p = 0,021) e causas básicas de óbito (p = 0,010) mostrou diferença estatística entre os períodos, com aumento proporcional de óbitos em crianças com idade gestacional <22 semanas, a termo e com peso adequado ao nascer no período pós-pandêmico. A distribuição dos óbitos segundo causas evitáveis diferiu significativamente entre os períodos (p = 0,009), com aumento da proporção de óbitos não classificados como evitáveis de 47,11% no pré-pandêmico para 53,24% no pós-pandêmico e redução das mortes reduzíveis por atenção ao recém-nascido de 16,19% para 11,73%. Conclusões: A mortalidade infantil no Distrito Federal apresentou trajetória ascendente ao longo do ciclo pandêmico, com associação mais pronunciada no período pós-pandêmico, impulsionado principalmente pelo componente pós-neonatal. O padrão observado sugere possível fragilização dos serviços de atenção primária à saúde e de puericultura ao longo da crise sanitária, evidenciada sobretudo pelo comportamento das causas de morte potencialmente evitáveis. Os achados reforçam a necessidade de estratégias sustentadas de fortalecimento da atenção materno-infantil, da vigilância do óbito e da redução das iniquidades no acesso ao cuidado, com monitoramento contínuo do CMI e de seus componentes como instrumento essencial de gestão e planejamento em saúde.
Abstract: Introduction: Infant mortality is one of the most sensitive indicators of the population's living conditions and the quality of health care, as it reflects social and economic determinants as well as the organization of health systems. In recent decades, Brazil has made substantial progress in reducing this indicator; however, relevant regional and social inequalities persist. The COVID-19 pandemic represented a disruptive event for health systems worldwide, leading to the reorganization of service delivery, overload of health care networks, and potential indirect impacts on maternal and child health care, especially regarding access to essential actions such as prenatal care, childcare follow-up, and pediatric consultations. In addition to the effects observed during the acute phase of the health crisis, its impacts may manifest later, in the post-pandemic period, due to the accumulated discontinuity of care and the weakening of essential child follow-up actions. Despite its relatively high Human Development Index, the Federal District presents internal heterogeneities that make the monitoring of infant mortality relevant in contexts of health crisis. Objective: To compare the infant mortality rate in the Federal District during the pre-pandemic (2018-2019), pandemic (2020-2021), and post-pandemic (2022-2023) periods, analyzing its components, maternal and perinatal characteristics of infant deaths, distribution by underlying causes, and classification according to preventable causes. Method: This was an ecological, analytical, retrospective, population-based study with temporal analysis, developed using secondary data from the Mortality Information System (SIM) and the Live Birth Information System (SINASC), referring to infant deaths among residents of the Federal District between 2018 and 2023. Live births were used as the denominator to calculate the Infant Mortality Coefficient (IMC) and its components: early neonatal (0—6 days), Iate neonatal (7—27 days), and post-neonatal (28—364 days). Ninety-five percent confidence intervals were estimated using the Poisson method. The association between period and IMC was estimated using Poisson regression with na offset term (logarithm of live births), with robust variance, producing Incidence Rate Ratios (IRR) with 95%CI, in crude models and models adjusted for linear trend. Maternal and perinatal characteristics and causes of death were compared between periods using Pearson's chi-square test, with a 5% significance level. Results: A total of 3,524 infant deaths and 235,492 live births were analyzed. The mean IMC over the total period was 14.96/1,000 live births (LB), with a progressive increase across periods: 14.19/1,000 LB in the pre-pandemic period, 14.68/1,000 LB in the pandemic period, and 16.21/1,000 LB in the post-pandemic period (95%CI: 15.29—17.18). The post-pandemic period was associated with a 14.3% higher rate ratio of infant death compared with the reference period (IRR = 1.143; 95%CI: 1.033—1.265; p = 0.010), whereas the pandemic period did not show a statistically significant difference from the pre-pandemic period in the crude model (IRR = 1.034; 95%CI: 0.925—1.157; p = 0.552). After adjustment for trend, both periods showed a significant association, and the linear trend indicated a 2.9% annual increase (IRR = 1.029; 95%CI: 1.017—1.040; p < 0.001). The post-neonatal component (28—364 days) showed the largest absolute increase in mortality rate, rising from 3.38/1,000 LB in the pre-pandemic period to 3.62/1,000 LB in the pandemic period and 4.60/1,000 LB in the post-pandemic period, as well as the highest rate ratio in the crude model (IRR = 1.361; 95%CI: 1224—1513; p < 0.001). The distribution of infant deaths by gestational age (p = 0.010), birth weight (p = 0.021), and underlying causes of death (p = 0.010) showed statistical differences between periods, with a proportional increase in deaths among children with gestational age <22 weeks, term births, and adequate birth weight in the post-pandemic period. The distribution of deaths according to preventable causes differed significantly between periods (p = 0.009), with an increase in the proportion of deaths not classified as preventable from 47.11% in the pre-pandemic period to 53.24% in the post-pandemic period, and a reduction in deaths reducible by adequate care for newborns from 16.19% to 11.73%. Conclusions: Infant mortality in the Federal District showed an upward trajectory throughout the pandemic cycle, with a more pronounced association in the post-pandemic period, driven mainly by the post-neonatal component. The observed pattern suggests apossible weakening of primary health care and childcare follow-up services throughout the health crisis, evidenced especially by the behavior of potentially preventable causes of death. The Hndings reinforce the need for sustained strategies to strengthen maternal and child health care, death surveillance, and the reduction of inequities in access to care,with continuous monitoring of the IMC and its components as an essential tool for health management and planning.
Palavras-chave: Mortalidade infantil
Covid-19
Saúde da criança
Serviços de saúde da criança
CNPq: CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE
Idioma: por
País: Brasil
Editor: Escola Superior de Ciências da Saúde
Universidade do Distrito Federal
Sigla da Instituição: ESCS
UnDF
Departamento: Coordenação do Curso de Medicina
metadata.dc.publisher.program: Programa de Pós-graduação em Mestrado Acadêmico em Ciências da Saúde
Citação: SALDANHA, R. P. Mortalidade infantil no Distrito Federal: panorama antes, durante e após a pandemia da COVID-19. 2026. 85 p. Dissertação (Mestrado - apresentado ao Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências para a Saúde), Escola Superior em Ciências da Saúde - ESCS, Universidade do Distrito Federal, Brasília, 2026.
Tipo de Acesso: Acesso Embargado
URI: https://repositoriobce.fepecs.edu.br/handle/123456789/1693
Data do documento: 14-mai-2026
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